sexta-feira, agosto 15, 2008

O comunismo brasileiro

VISITE O SITE IMORTAIS GUERREIROS

Carlos Hernán Tercero

http://www.polestrare.com.br/comunismobrasileiro.htm

Muitas pessoas temem que o comunismo seja implantado no Brasil. Elas imaginam o caos social que isso poderia significar. Afinal, os grupos sociais tendem à anarquia, somente comportando-se dentro de limites em função de temerem a ação repressiva das leis e regulamentos, de buscarem as recompensas inerentes aos procedimentos reconhecidos como virtuosos ou de evitarem serem classificados como pessoas maléficas à coletividade. Essas recompensas, leis e regulamentos normatizam a qualificação do mérito ou do demérito dos indivíduos na sociedade. Assim funciona o nosso atual sistema político que diferencia as pessoas de acordo com suas diversas capacidades. Contra esse tratamento diferenciado voltam-se os marxistas. A comunização do Brasil, significaria, pois, o fim das diferenças no tratamento de individuos desiguais, passando o esforço pessoal de cada um pela obtenção de maiores qualificações a nada significar em termos de ganhos a serem obtidos. Seria o triunfo das ações destinadas a anularem progressivamente os valores de nossa tradicional sociedade, ações estas que, diga-se de passagem, os últimos governos de esquerda têm apoiado ou tolerado. Seria o estímulo à inércia e à lei do menor esforço.

Por outro lado, os que defendem a implantação do comunismo como solução para os problemas da humanidade alegam justamente o oposto. A implantação da comuna universal traria a solução para os atuais problemas sociais que contribuem para dividir a sociedade entre os que têm e os que não têm. A eliminação das classes sociais igualaria o tratamento dispensado a todos os cidadãos os quais usufruiriam livremente dos direitos que, segundo eles, agora beneficiam apenas a burguesia.

Positivamente, esses dois grupos de pessoas jamais se entenderam, chegando a, em passado recente, recorrerem à luta armada para fazerem valer suas idéias. Tal dissensão tem contribuído negativamente para a coesão nacional com graves prejuízos ao progresso de nosso país.

Mas, alegrem-se os que se preocupam com essa questão! Seus problemas estão resolvidos! O comunismo já foi implantado, a nível nacional, em significativo setor de nossa sociedade dita de consumo!

Em tal segmento, todos são igualmente poderosos, todos dispõem de bens materiais equivalentes, todos estão sujeitos às mesmas dificuldades e às mesmas oportunidades. Nenhuma repressão é exercida de modo diferenciado. Cada um pode agir e pensar livremente. Quaisquer idéias podem ser implementadas no momento em que são imaginadas. Não há muros nem excluídos. Não há classes. Todos são iguais.

Esse lugar existe em nosso Brasil? Sim e em todos os municípios. Esse setor de nossa sociedade é: o trânsito de viaturas nas vias públicas. Alguns poderiam alegar que existem diferenciações na performance dos meios de locomoção. De fato, elas existem. Todavia, isso somente tem algum significado quando se transita em rodovias de alta velocidade. Nas condições normais, não se consegue trafegar com velocidades superiores a oitenta quilômetros por hora. Em alguns locais, quarenta quilômetros por hora são considerados excelente performance! Isso faz com que todos tenham exatamente as mesmas possibilidades e as mesmas limitações. Exatamente como preconiza o comunismo.

É com base no testemunho do modus operandi desse modelo que podemos tirar algumas conclusões práticas acerca de como seria a implantação dessa ideologia no Brasil, já que, teoricamente, ela propugna a adoção de cenário similar ao já existente nas vias públicas das cidades de nosso país.

Vejamos alguns exemplos das cenas a que todos estão habituados no ir e vir diário entre dois pontos de nossas aprazíveis artérias viárias. È comum no trânsito das grandes cidades encontrarmos:

Pessoas provavelmente atrasadas ou apressadas, ultrapassando pelo acostamento,

Motoristas que buzinam atrás de nós cerca de um milésimo de segundo após a abertura do sinal luminoso,

Viaturas que, não podendo efetuar ultrapassagem, trafegam a cerca de um milímetro de nosso pára-choque traseiro, algumas vezes proferindo palavras de exortação a que aceleremos um pouco mais. Outras, alardeando referencias desairosas a nossos genitores,

Motoristas que, irritados por não terem podido ultrapassar-nos na hora em que desejavam, o fazem ameaçando jogar-nos fora da via, por vezes obrigando-nos a frear de modo a evitar pequena colisão,

Condutores que, trafegando no sentido inverso, produzem intensa iluminação frontal, cegando-nos, apesar disso implicar em risco para eles mesmos,

Pequenos coletivos de aluguel que param no intuito de recolherem passageiros, impedindo nosso caminho por minutos apesar de terem, em muitos casos, a oportunidade de o fazerem no acostamento,

Indivíduos que, ao depararem-se com um engarrafamento produzido por sinal de trânsito, invadem o cruzamento, interrompendo o tráfego perpendicular, de forma a encurtarem alguns minutos de suas viagens,

Grandes viaturas coletivas que transitam lançando mão de sua forte personalidade, produzindo, por vezes, alterações somáticas em nosso sistema nervoso,

Pessoas que, provavelmente por razões para eles justificadas e ignoradas por nós, avançam todo e qualquer sinal de trânsito em desabalada carreira, por vezes, esmagando os transeuntes mais distraídos,

Motoristas que trafegam em velocidades um pouco acima da máxima imaginada pelos seres humanos comuns,

Motoristas que trafegam em velocidades um pouco abaixo da mínima que pessoas idosas consideram excesso de zelo,

Carroças puxadas por diversos tipos de animais que se movimentam em suas velocidades típicas em vias de trânsito rápido,

Inacreditáveis quebra-molas, sem sinalização, erguidos pela população local em honra a motorista célere que lá transitou alguns anos atrás,

Buracos assustadores capazes de engolirem viaturas inteiras,

Pessoas que tentam salvar seus pais da forca, efetuando ultrapassagens que sabem que não poderão completar sem que nos obriguem a sair da via em que transitamos,

Alegres motociclistas que, a todo instante, demonstram manobras arriscadas para quebrarem a monotonia do trânsito costumeiro de todos os dias, passando ora pela esquerda, ora pela direita incessantemente, a milímetros de nossos lentos veículos,

Advertências variadas, seja por meio de silenciosa intermitência de faróis, seja por agradáveis e sonoras buzinadas, seja por gestos que tentam nos inteirar da contrariedade que algum tipo de ação adotada por nós possa estar causando,

Algumas pessoas persistentes que insistem em que não trafeguemos à sua frente, agindo como se nos desafiassem para uma competição, mas que, tão logo nos ultrapassam, diminuem a marcha, talvez para nos enviarem mensagem acerca da velocidade que consideram justa para o nosso deslocamento,

Motoristas que desenvolvem novos métodos de manutenção, fazendo com que seus veículos produzam efeitos visuais redutores de visibilidade, pela intensa produção de gases com odores variados,

Prodigiosos condutores que efetuam cavalos de pau e outras sensacionais manobras durante pegas para distraírem populares, que provavelmente consideram entediados,

Simpáticas atitudes de condutores que estacionam suas máquinas nas entradas destinadas a outros veículos,

Estimulantes ações de elementos que, ao entrarem ou saírem dos locais de estacionamento, o fazem de modo a alterarem a posição de nossos carros situados em posição adjacente, empurrando-os suavemente,

Conscientes cidadãos preocupados com nossa possível redução de visibilidade ocasionada por sujeira no pára-brisa que, diligentemente, derramam líquidos de origem desconhecida sobre nossas viaturas e esfregam límpidos tecidos sobre as superfícies assim encharcadas. Essas ações nos emocionam a ponto de alguns de nós, que não possuímos carros blindados, oferecermos a elas recompensa monetária por tão estimulante ato,

Em ambiente tão igualitário, alguns indivíduos solicitam para seu uso nossas viaturas, com toda a certeza preocupados com os riscos que possamos correr ao dirigi-las, convencendo-nos de modo inconfundível e irrecusável a concordarmos com sua atitude reivindicatória,

Competitivas gincanas a que se submetem os que procuram estacionar seus carros em espaços para isso alocados que, todavia, tornam-se a cada dia mais raros em certos horários. Nessas gincanas, a precedência nem sempre é totalmente obedecida, não raro, obrigando-nos a permitir que veículos retardatários ocupem a vaga que a nós caberia no intuito de resguardarmos nossa integridade física,

Artistas populares que exibem seus talentos cobrindo com traços coloridos as placas de sinalização que, assim, tornam-se ilegíveis desafiando nosso intelecto,

Desportistas do tiro ao alvo, que praticam sua perícia perfurando os aparelhos detectores de infrações, possivelmente por não concordarem com esse tipo de delação.

Etc. etc.

Essas cenas quotidianas auxiliam-nos a antever como seria o advento do comunismo como regime político em nosso país. Basta que você empregue a sua imaginação e faça analogias, transpondo as cenas de nosso trânsito para outros segmentos de nossa sociedade.

Existe, também, um outro local onde a ideologia comunista já foi implantada e que abrange um número bem maior de indivíduos do que os que freqüentam o trânsito: as praias. Vejamos algumas imagens que se formam em nossas mentes ao lembrarmo-nos desses aprazíveis locais (além das belas imagens femininas costumeiras):

Insistentes comerciantes locais que tentam nos vender alguns produtos comestíveis ou bebíveis de seu interesse, embora, não raro, a aparência desses produtos nos aconselhe a recusa a tais oferecimentos,

Pequenos empresários que, preocupados com nosso bem estar, tentam adivinhar nossas necessidades insatisfeitas, oferecendo-nos produtos assim como, óculos de sol, óleos de bronzear, redes onde possamos descansar chapéus de todos os tipos, saídas de praia, toalhas, convites para hospedarmo-nos em hotéis das proximidades, bijuterias, jornais e todo o tipo de conveniência de modo a que não fiquemos jamais com sentimentos de solidão em meio a tanta gente,

Agradáveis crianças ou mesmo adultos que se movimentam celeremente, deslocando em seu caminhar grãos de areia e projetando-os em nossa direção, fazendo-os incrustarem-se em nosso corpo,

Solidários praianos que, preocupados com o fato de não dispormos no local de aparelho reprodutor de sons, inundam nossos ouvidos com maviosas melodias emitidas pelos dezoito alto-falantes de seus carros os quais insistem em colocar em local próximo aos demais banhistas. É importante mencionar que alguns elementos menos educados permitem-se ao desplante de considerarem tal atitude como atentatória ao silêncio a que teoricamente teriam direito,

Ainda mais solidários praianos que, preocupados em que nossa preferência musical esteja sendo ignorada, surgem em nosso socorro, ligando seus trinta e seis alto-falantes em flagrante confronto aos sons emitidos pelo outro banhista difusor de gosto musical que julgam ser incompatível com nossa audição,

Ecológicos cães de todos os tipos e tamanhos que, incapazes de discriminarem os locais onde perfazem suas necessidades fisiológicas, depositam resíduos de odor característico nos locais onde iremos tomar assento,

Atléticos desportistas que em sua ânsia em dedicarem-se ao esporte bretão, procuram praticar essa salutar atividade, grantindo, porém, que a trajetória de seus petardos tenha seu ponto de maior aproximação a não menos de um centímetro de nossas faces preocupadamente atentas à prática a que se dedicam,

Corteses praticantes de frescobol que se superam no esforço que fazem para que suas bolinhas ou raquetadas jamais possam oferecer riscos à nossa incolumidade, mesmo quando, por vezes, nos saúdam com pequenos grãos de areia deslocados por suas raquetes ou por seus pés que, em rápidos passos, se dedicam à nossa proteção,

Pequenos grupos de menores que se deslocam rapidamente em conjunto, aliviando os praianos de alguns objetos que provavelmente consideram estarem impedindo-os de desfrutarem totalmente das delícias da beira-mar,

Importantes caravanas de coletivos envelhecidos, promovendo a socialização de algumas centenas de pessoas em suas horas de lazer, trazendo entre eles mestres da culinária popular, os quais produzem os mais variados aromas ao prepararem alimentos para saciarem o apetite de seus companheiros de jornada,

Idosas desapercebidas de sua aparência física que exibem protuberâncias e dobras corporais deixando marcante impressão,

Indivíduos que tentam melhorar as relações sociais locais, estabelecendo contatos com senhoritas que se destacam por sua agradável aparência e que, nem sempre têm o mérito de suas intenções plenamente reconhecido, o que por vezes resulta em interações de natureza belicosa entre eles mesmos e elementos discordantes dessa postura social.

Homens exibindo faixas verdes em suas indumentárias que insistem em que devemos contribuir pecuniariamente com o governo para estacionarmos em vagas onde dificilmente alguém poderia acreditar que coubesse outro carro,

Espetaculares manobras de elementos montados em jet skis, próximo à praia, intimidando os que temem serem sobrevoados por essas maravilhosas máquinas,

Engenhosos surfistas com pranchas multicoloridas que efetuam acrobacias aquáticas, contribuindo para que os banhistas abandonem a água, eliminando assim o risco que corriam de se afogarem,

Amantes da pesca que projetam seus anzóis com incrível destreza sobre nossas cabeças, exortando-nos a aumentarmos o grau de confiança que temos em nossos semelhantes ou a regressarmos a areia por temermos a possibilidade remota da incrustação de um desses objetos metálicos em nossos olhos,

Etc, etc.

Mas, lembrem-se: a praia e o transito são cenários evitáveis. Somente teremos que usufruir daquilo que oferecem quando lá vamos. Todavia, a implantação do comunismo, certamente, faria com que comportamentos semelhantes passassem a fazer parte de nossas vidas vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.

Conforme dissemos, os modelos citados (as praias e o trânsito de veículos) foram escolhidos por sua semelhança com o que propugna a ideologia comunista. Nesses modelos todos são tratados de forma semelhante e possuem direitos iguais independentemente de seu status social. É isso o que pretende o comunismo com a liquidação dos burgueses e a implantação da ditadura do proletariado. Eles intentam a eliminação de todos os patrões, transformando o mundo numa grande comuna universal onde não existam classes sociais:

Em lugar da antiga sociedade burguesa, com suas classes e antagonismos de classe, surge uma associação onde o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos”. (Manifesto Comunista)

Mas, como vimos nos modelos trânsito e praia, toda igualdade é extremamente caótica e mesmo o mais convicto comunista concordará em que esse estado de coisas dificulta a condução de qualquer empreendimento a bom termo. Todos compreendemos os males da igualdade dos desiguais quando dirigimos nossos carros no trânsito urbano ou desistimos de comparecer à praia.

Mas, os comunistas também sabem disso. Assim, uma vez conquistado o poder, os regimes marxistas instauram a mais terrível opressão. De outra forma, a anarquia que sempre advém da eliminação das classes tenderia a destruir toda a sociedade e a torná-la ingovernável.

Paradoxalmente, essa repressão cria o que intentavam remover das relações sociais: reprimidos e repressores. Essas são as novas classes que surgem em lugar das tradicionais eliminadas pela ascensão do proletariado.

Por isso, é que não creio que o comunismo possa trazer algo de bom a qualquer país.

Um comentário:

Pedro disse...

"Assim funciona o nosso atual sistema político que diferencia as pessoas de acordo com suas diversas capacidades."

O nosso atual sistema político diferencia as pessoas de acordo com raça, o sobrenome e a conta no banco...

O objetivo desse comentário não é defender a implantação do comunismo no Brasil, mas defender um sistema tão injusto quanto o nosso atual pra criticar o comunismo é, no mínimo, uma baita burrice...

Até!