terça-feira, dezembro 16, 2008

QUATRO OPINIÕES SOBRE AS HOMENAGENS DE LULA A JOÃO CÂNDIDO

QUATRO OPINIÕES SOBRE AS HOMENAGENS DE LULA A JOÃO CÂNDIDO


1. LULA ELOGIA TERRORISTAS, ASSASSINOS E ASSALTANTES DE BANCO E DESDENHA OS NOSSOS VERDADEIROS HERÓIS

Por Aluisio Madruga de Moura e Souza

Ternuma - Regional Brasília


Autor dos Livros: Guerrilha do Araguaia; Revanchismo A Grande Verdade e Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada

Ao participar das solenidades relativas ao “Dia Nacional da Consciência Negra”, por incrível que pareça, o Presidente da República Federativa do Brasil, senhor Luis Inácio Lula da Silva, que por lei também é o Comandante das Forças Armadas, de maneira arrogante e desrespeitosa desprestigiou não só a Marinha de Guerra do Brasil como também nossos verdadeiros heróis e por fim afrontou a Nação Brasileira.

Ao discursar no Rio de Janeiro por ocasião dos 98 anos da revolta da Chibata, quando o Governo do Partido dos Trabalhadores (?) inaugurou uma estátua de João Cândido Felisberto na Praça 15, Lula, mais uma vez, o que aliás faz com muito freqüência, ultrapassou todos os limites do permitido a qualquer cidadão de bem, em particular, ao Presidente da Nação.

Ao brasileiro de conhecimento médio não é dado o direito de desconhecer que a Revolta da Chibata ocorrida em 22 de novembro de 1910, sob a liderança do marinheiro de primeira classe João Cândido Felisberto foi um dos muitos episódios tristes da nossa história. Pelo menos 2.000 marinheiros se sublevaram contra os castigos físicos que eram aplicados como ato disciplinar, o que a época ocorria na maioria das Marinhas do mundo. Ao final de quatro dias de revolta tinham sido massacrados e sacrificados vários oficiais, sargentos e marinheiros, principalmente no navio Minas Gerais, tendo seu Comandante sido assassinado por um revoltoso, que depois de tudo isto ainda urinou em seu corpo. Como conseqüência desses fatos meses depois João Cândido foi preso e expulso da Armada, tendo sobrevivido na pobreza.

Lula criou o “dia da consciência negra” e pretende transformar a data em feriado nacional; sancionou a anistia póstuma a João Cândido, prestigiou a inauguração da estátua do mesmo em via pública e no local onde ocorreu o forte da revolta e, por fim, discursou em homenagem àquele que o seu partido está chamando de “Almirante Negro”. Só falta promove-lo ao posto. Que fique claro que João Cândido não foi expulso da Marinha por ser negro e sim por ter liderado um motim, ou seja, uma revolta que provocou mortes. Portanto, transformou-se em um criminoso assassino. Não era um criminoso comum.

Mas durante seu discurso Lula foi além. Como Comandante das Forças Armadas qualificou o criminoso João Cândido de “herói” ao afirmar: “ precisamos aprender a transformar nossos mortos em heróis”. E não satisfeito também elogiou seqüestradores, terroristas, assaltantes de bancos e fábricas, citando nominalmente Carlos Marighella, afirmando que “as novas gerações precisam saber que Marighella não morreu por ser bandido, mas sim porque se opunha a ditadura militar. Morreu porque acreditava numa causa.”

Presidente, concordo com a afirmação de que Marighella morreu porque acreditava em uma causa. E como devo respeitar o seu posto de Comandante das Forças Armadas escrevo apenas que é uma inverdade de sua parte afirmar que o seu herói lutava contra a ditadura militar. Em verdade o que ele e seus seguidores queriam era implantar uma ditadura do proletariado no Brasil, exatamente aos moldes da instituída por Fidel Castro de quem Vossa Excelência é o principal parceiro dentro do Fórum de São Paulo, aliás criado por ambos, Frei Beto e tantos outros. Certamente o senhor sabe do que estou falando.

Em um só ato Vossa Excelência desprestigiou a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas e menosprezou em público a Marinha de Guerra do Brasil. Prestigiou e enalteceu os atos de seqüestros contra embaixadores, de terrorismo e vários tipos de assaltos ocorridos no Brasil, tudo executado por marginais não diferentes dos que atuam hoje na favela da “rocinha” e outras. Não seria muito para um único dia?

Este seu discurso, por ser o senhor o Comandante das Forças Armadas, foi em verdade uma ofensa premeditada, covarde e inadmissível não só à Marinha mas às Forças Armadas que pelo previsto em lei combateram o terrorismo urbano e a guerrilha rural no País, violência revolucionária que fez 119/120 mortos e 343 feridos. Esta atitude foi uma verdadeira apologia a subversão da ordem. Aliás, o seu partido e, não tenho dúvidas sob sua orientação, vem a muito corrompendo este País para que após o caos e com um partido único sob sua liderança seja estabelecida a nova ordem ditatorial e proletária, que valerá para muitos dos seus companheiros de viagem que não sejam de seu verdadeiro agrado e para o povão. Para Vossa Excelência e a cúpula que o cerca a luxúria e charutos cubanos, não é mesmo? Se não der certo a Itália já está preparada para receber a família de braços abertos.

Ainda bem que a nossa Marinha de Guerra adotou posição digna de seu passado e de seu presente, pois se iludem aqueles que imaginam que as Forças Armadas de hoje são diferentes da de ontem, e não se fez presente em ato prestigiado pelo Presidente da República, que decidiu por homenagear figuras que desenvolveram atividades criminosas. Pobre Brasil.

O que o LULA e o Partido dos Trabalhadores fizeram com as nossas elites? E o que estão fazendo com a Nação brasileira?

2. Considerar João Cândido Almirante Negro é um escárnio

Por Guimarães
A inauguração da estátua de João Cândido pelo presidente da república foi mais um sapo que tivemos de engolir em posição de sentido. Felizmente nossos chefes tiveram o bom senso de não comparecer. Considerar João Cândido Almirante Negro é um escárnio.

Meu pai era o enfermeiro do navio de registro na noite em que o então Tenente Alvaro Alberto foi ferido e, com o médico do navio, prestou-lhe os primeiros socorros. Ele não se cansava de dizer que João Cândido nunca foi revoltoso, era de baixo QI e foi encontrado escondido dentro do mastro do Encouraçado. Como era um bom timoneiro, foi usado para guarnecer o timão. Quando os revoltosos se viram perdidos, fizeram dele o bode expiatório.

Hoje o transformaram em herói. Só falta considerá-lo perseguido político e arbitrarem para seus dependentes uma Pensão de Almirante....

3. João Cândido foi encontrado pelos verdadeiros revoltosos, escondido nas entranhas do Minas Gerais

Por Gilberto Roque Carneiro - CMG(RM-1)
Pior é que João Cândido, um marinheiro velho, de trinta anos, não foi um amotinado naquela revolta. O motim vinha sendo urdido por marinheiros novos, vindos das novas Escolas de Aprendizes do Nordeste, mais intelectualizados e cooptados por políticos.

O Marechal Hermes da Fonseca assumira há uma semana. Tinha derrotado Rui Barbosa nas urnas. Trazia de volta os militares ao poder, que haviam perdido desde a saída de Floriano Peixoto, quinze anos antes.

A Revolta dos Marinheiros, em 1910, eclodiu no Encouraçado Minas Gerais, recém recebido na Inglaterra. Na véspera, o Comte. Batista das Neves havia punido um marinheiro com 25 chibatadas, a pena máxima prevista em lei. Cumpria o doloroso dever dos Comtes. ao julgar um subalterno que havia navalhado no rosto um companheiro dormindo. Como os ânimos estavam exaltados, resolveu dormir a bordo, na bóia, com o navio fundeado na Baía da Guanabara, após voltar de um jantar num navio estrangeiro. Dispensou seu Ajord no portaló e rumou para o Camarote, sendo tocaiado e trucidado por golpes de machado do CAV. Era cerca de meia noite.

Instalou-se grande confusão a bordo, com mortos e feridos. Não era um motim de marinheiros contra oficiais. Muitos subalternos lutaram junto aos oficiais. Outros navios, também fundeados, imaginaram que a revolta política havia começado, alguns aderiram. Na verdade, adrede marcada, eclodiria quinze dias depois, como eclodiu no Batalão Naval, onde hoje está o CGCFN.

João Cândido entrara para a Marinha em Rio Grande, pelas mãos do então CF Alexandrino de Alencar, de cuja família era cria, com quinze anos de idade. Em 1910, amigo dos Oficiais, principalmente por sua ligação com o ex-Ministro Alexandrino, que acabara de deixar o poder, foi encontrado pelos verdadeiros revoltosos, escondido nas entranhas do Minas Gerais, e forçado a entregar o manifesto da revolta aos Deputados que rumavam para o navio numa lancha. Na verdade um só deputado, Oficial da MB na Reserva, aceitou a incumbência.

Esse documento, cujo original está arquivado no SDGM, escrito a mão, por gente letrada, estava pronto e tinha data posterior ao dia da entrega. Nada falava sobre castigos físicos, sim da vida dura da guarnição, rancho ruim, falta de pessoal, soldos baixos, etc. A chibata, deflagadora do motim no Minas, abortando o movimento, foi o pretexto arranjado pelos políticos, para militarizá-lo e cair fora das conseqüências.

Políticos debateram no Congresso, que como sabem ficava na Cinelândia, sob a hipótese de bombardeio do Centro da cidade. Os jornais divulgavam as notícias, alarmando a população. O Presidente Hermes da Fonseca fora Ajord de seu tio, Deodoro da Fonseca, quase duas décadas antes, quando assistiu à sua deposição em condições semelhantes. Tudo indica que o movimento, de maior abrangência do que foi divulgado, pretendia depô-lo. Mas provas não existem. Após o pesado bombardeio ao Batalhão Naval, comandado pelo Gen. Menna Barreto, cujo Estado-Maior ocupou o Edifício Tamandaré, da Marinha, muitos documentos foram destruídos, inclusive depoimentos colhidos nos diversos inquéritos em andamento.

Esta história toda custou a ser estudada, principalmente pela vergonhosa participação da Marinha. João Cândido, negro, analfabeto, filho de escravos, foi usado por décadas como suporte a políticos populistas e ainda está sendo. Gostou do papel glorioso que lhe atribuíram. Assim, a história de sua vida é deturpada. Declarou, no Inquérito, que era nascido na Argentina. Na verdade foi numa fazenda próxima à fronteira no Sul.

Em 63, quando estávamos na Escola Naval, no navio hidrográfico Canopus, o Comte Varella e seu Imediato foram assassinados a golpes de "machados do CAV", por um Marinheiro julgado e punido na véspera com a pena máxima, dez dias de prisão rigorosa. Não acham muita coincidência? Por esta época fazia sucesso o único livro publicado sobre a dita Revolta da Chibata, em tom ideológico, por um jornalista chamado Edmar Morel, quase um incitamento à insubordinação de marinheiros. Nesta época João Cândido freqüentava o Sindicato dos Metalúrgicos, a convite, para contar detalhes de sua gloriosa história. Foi nesse Sindicato que Marinheiros se abrigaram, estimulados pela inoperância do Presidente João Goulart, para desafiar os Chefes Navais e a Instituição.

O Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, recebeu e rendeu homenagens a João Cândido, já envelhecido, mas envaidecido pelas múltiplas e periódicas homenagens em diversas situações. Considero o valor desse cidadão por ter conseguido manter essa impostura por toda a vida e até depois da morte. O Alte. Hélio Leôncio Martins, historiador naval ainda vivo, primeiro Comte. do Nael Minas Gerais, estudou a fundo a "Revolta dos Marinheiros de 1910", documentou-a e publicou seu trabalho num livro de curta tiragem, na década de 80. Li-o em 1998, colhido numa estante do Clube Naval. Comparei-o com o do Edmar Morel, de 1963. Enquanto este só relata os jornais da época e o que dizia João Cândido, já senil, endeusando-o, o Alte. Leôncio produziu um trabalho encadeado, fartamente documentado, nada emocional, narrando fatos e deixando as conclusões para o leitor. Hoje tudo que ouço falar e vejo escrito na imprensa sobre o assunto, está pautado no livro do Morel. É pena! Fazer o quê.

Recontar as mazelas da Marinha no passado? Faço isto sem prazer. Algumas vezes mandei estes escritos para a Imprensa. Fui ignorado. Não vende. A história do contrário sim. Recentemente a família de João Cândido foi indenizada no que foi contado nos jornais como anistia. Mas como? Ele já foi anistiado três vezes. A primeira logo após a revolta, pelo Congresso. A Marinha não aceitou, prendeu-o junto com os outros. Teriam que pagar pelo menos pelo assassinato de Batista das Neves. Foi anistiado novamente depois, não seguindo para a Amazônia com os outros, para trabalhos forçados no Acre, na construção da Madeira-Mamoré. E agora, por influência da Ministra Marina Silva, pelo Congresso, com direito à indenização. Detalhe: ele faleceu em 1979.

O verdadeiro líder da Revolta, apareceu na década de 40, no interior da Bahia, contando a história do planejamento, urdido numa casa próxima ao Campo de Santana, no Rio de Janeiro, onde se reunia com civis. Chegou a escrever uma carta anônima para o SDGM, desmascarando João Cândido. Chamava-se Francisco Martins. Apurou-se que ele não servia no Minas, mas num dos navios engajados. Estranhamente conseguiu dar baixa da Marinha uma semana depois, silenciosamente. O Cabo Anselmo, líder da insubordinação dos marinheiros em 64 também está vivendo clandestinamente. Vem tentando conseguir anistia, promoção e indenização. Conseguirá?

Agora vejo transferirem a estátua de João Cândido para a Praça XV com tristeza. Estava no Museu da República há pouco tempo.

4. LAMENTÁVEL


ALFREDO KARAM

Almirante-de-Esquadra

Ex-Ministro da Marinha

Noticiario Naval


Um triste acontecimento na História do Brasil e da sua própria Marinha foi a "Revolta de 1910", um fato deplorável, um motim planejado e premeditado que causou mortes e sofrimentos de pessoas, principalmente no Encouraçado "Minas Gerais", onde estava servindo João Cândido Felisberto, um marinheiro de raça negra, um suposto líder e mentor do movimento, mas que, na verdade, obedeceu ao sinal ou a ordem de outros cúmplices, para dar início às danosas ações que se desenvolveram.


A João Cândido, hoje batizado de Almirante Negro por aqueles que desconhecem o seu verdadeiro comportamento, coube, posteriormente, apenas negociar a anistia. Naquele episódio, vários oficiais, sargentos e marinheiros foram sacrificados, enquanto instalações e materiais diversos foram danificados, sobressaindo-se o massacre a que foi submetido o então Comandante do "Minas Gerais" e que teve o seu corpo desrespeitado por um dos revoltosos que ainda urinou sobre seu cadáver.


Num curto espaço de tempo, estava também ocorrendo uma crise institucional de extrema gravidade, ameaçando inclusive a cidade do Rio de janeiro, na época, a capital do País. Tal episódio deve ser considerado como uma ruptura do preceito hierárquico, uma vez que, na Marinha do Brasil, as reivindicações dos subalternos, em via de regra, quase sempre obtiveram a compreensão, o reconhecimento e o respaldo para decisão superior, por meio de argumentações e diálogos entre as partes envolvidas.


Assim, em hipótese alguma, aquele movimento pode ser interpretado como ato de bravura ou de caráter humanitário e a Marinha deste País, estou certo, jamais reconheceria qualquer heroísmo naquelas ações desencadeadas pelos amotinados.


Portanto, no meu entender, não existiu a menor justificativa para que fosse homenageado um "Falso Herói", na ocasião em que se comemora o "Dia da Consciência Negra", com a colocação de uma estátua daquele indisciplinado marinheiro na Praça XV, num evento que contou com a presença de autoridades, notadamente a do Comandante Supremo das Forças Armadas - O Presidente da República.

Considero mesmo que, no dia 20 de novembro de 2008, a nossa imaculada Marinha do Brasil foi desprestigiada; Marinha que sempre esteve presente em defesa da nossa soberania, desde quando atuou para consolidar a nossa independência, como também, nas duas Guerras Mundiais que eclodiram nos idos de 1914 a 1918 e de 1939 a 1945.


LAMENTÁVEL.

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